2008 é o ano do arranque das obras do Fórum Cultural, que irá renascer do antigo Cine-Teatro, e do Centro de Arte Contemporânea que, embora construído de raiz, servirá de ligação ao Palácio da Galeria.
Ambos os equipamentos distanciam-se por algumas dezenas de metros, estando localizados na zona histórica de Tavira.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Tavira, Macário Correia, "em termos de arquitectura, o projecto do Fórum Cultural está feito e aprovado. Está agora no domínio das especialidades, para a instalação da tecnologia de cena, acústica, iluminações e interiores. Por isso, é um processo complexo que está a ser tratado devidamente", explica. "Em relação ao Centro de Arte Contemporânea, está um júri a trabalhar nesse domínio. Foi escolhido um gabinete de projectistas: o Instituto das Artes tem acompanhado o projecto a par e passo e contamos, em 2008, lançar essa obra", acrescenta. Ambos os projectos deverão ser construídos num prazo de dois anos.

O investimento total previsto é de 15 milhões de euros, divididos em cerca de sete ou oito milhões de euros para cada projecto. Entretanto, Macário Correia afirma que irá recorrer ao QREN para obter financiamento: “tentaremos que, no contexto do investimento estratégico deste Quadro, estes projectos sejam contemplados. Mas sabemos que o dinheiro é pouco. Naturalmente vamos tentar ser atendidos”, aponta.
O Fórum Cultural vai ter dois auditórios, um deles para espectáculos de dança, teatro, música e tudo o que está relacionado com as artes cénicas, e o Centro de Arte Contemporânea vai ser um espaço para receber a arte contemporânea e que terá exposições da Gulbenkian, entre outras. Este espaço vai complementar o Palácio da Galeria, onde actualmente existe um espaço para albergar este tipo de exposições.
Ambos os projectos vieram, desta forma, colmatar uma falha ao nível da falta de condições físicas para receber determinado tipo de eventos, que o actual Cine Teatro não podia dar resposta e para alargar e dar a oportunidade à arte contemporânea de ter um espaço próprio.
Em suma, “o Fórum Cultural vai reabilitar por completo um velho cinema, dando-lhe uma nova filosofia e o Centro de Arte Contemporânea passa por pegar num espaço adjacente a um palácio que já tem essa função. No fundo, é ampliar o palácio, construindo a parte nova, para servir de complemento à parte antiga e dar-lhe uma valência de museu e de arte contemporânea”, explica o autarca de Tavira.

Encontrados vestígios arqueológicas
Na preparação dos trabalhos, foram encontrados vestígios arquitectónicos numa zona limítrofe do terreno onde vai ser construído o Centro de Arte Contemporânea que, segundo o 'Guia de Portugal' verificou no local, poderão ser de origem islâmica do século XII ou XII, sendo que um muro que circunda a área poderá remeter para uma influência cristã.
A equipa que prossegue as escavações e identificação deste achado deverá submeter a sua avaliação ao IPPAR e a partir daí decidir-se-á qual o destino a dar a estes vestígios.
Sobre as escavações, o presidente da autarquia referiu que pretende que sirvam para resolver a questão das fundações. "Ou seja, clarificar o que temos lá em baixo, em que níveis e em que estratos e o que importa proteger ou salvaguadar, ou o que poderá não ter interesse arqueológico de relevo. As fundações poderão ter oscilações ou maior profundidade num sítio ou noutro, numa pesquisa que está a ser feita para definir a fundação do edifício". Definidas estas questões, Macário Correia admite a integração destes achados aqueológicos: "aliás, no Palácio da Galeria temos um conjunto de escavações que foi descoberto, mesmo ao lado onde se quer fazer o novo edifício e estas acabaram por integrar o próprio edifício. A entrada principal e vários gabinetes têm um conjunto de achados arqueológicos em baixo, iluminados, com soalhos transparentes. Nós estamos sentados em cima da História. Portanto, tudo isso está integrado no próprio edifício", conclui.