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:: Santiago do Cacém: Autarca (CDU) teme que bairro prestes a ser requalificado se torne num "gueto" caso Estado não ceda edifícios vazios
09-03-2010
Santiago do Cacém, Setúbal, 09 mar (Lusa) -- A Câmara de Santiago do Cacém (CDU) vai recuperar o espaço público de um bairro degradado, mas teme que, se o Estado não ceder ao município a gestão dos edifícios, muitos dos quais vazios, a zona se torne num "gueto".

"Este bairro apresenta hoje para a cidade e para as populações um risco muito grande", disse Vítor Proença aos jornalistas, numa conferência de imprensa, sobre um Bairro Azul, de vocação administrativa, situado em Vila Nova de Santo André. "O risco é o de se estar transformar num gueto, num espaço com preocupações muito grandes do ponto de vista da segurança, tendo em conta que é um bairro que não tem vida própria", disse. O Bairro Azul, numa zona central da cidade mais populosa do concelho de Santiago do Cacém, faz parte de um conjunto de edifícios construídos há cerca de 35 anos, aquando da construção do complexo industrial de Sines, e sempre foi considerado um "centro administrativo". A Câmara vai investir na recuperação do Bairro Azul, através do programa de Regeneração Urbana, cofinanciado pelo Quadro Estratégico de Referência Nacional, estando prevista a qualificação dos espaços públicos, nomeadamente dos espaços verdes e da iluminação pública até ao final de 2011. "Este ano começaremos as intervenções", disse o autarca, frisando contudo que, se nada for feito da parte do Estado, "subsiste o problema de muitas coletivas não estarem a ser utilizadas". Nesse sentido, a autarquia solicitou uma reunião com o presidente INH, que deverá decorrer a 25 de Março, que pretende "discutir soluções" para o bairro. "A intervenção da Regeneração Urbana é uma oportunidade de ouro e uma alavanca para o restante", defendeu Vítor Proença, lembrando que, "em qualquer cidade os bairros não habitados são um fator de risco". Atualmente o Bairro Azul é morada de partidos políticos, serviços de Instituições Particulares de Solidariedade Social, associações, da Junta de Freguesia local, de delegações do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e da CCDR-Alentejo e até mesmo do posto da GNR local. Depois de ser gerido pelo extinto Gabinete da Área de Sines, os edifícios do Bairro Azul passaram para a posse do IGAPHE, tendo sido depois "herdados" pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (INH). Segundo cálculos "feitos por alto" pelo presidente da Câmara, serão cerca de 100 os "alojamentos possíveis de instalar" nos edifícios que neste momento não têm qualquer utilização. O autarca defende a cedência destes edifícios ao município, para que possa fazer a sua gestão, disponibilizando-os a associações ou outras entidades do concelho, evitando simultaneamente a sua contínua degradação. AYN. *** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico *** Lusa/Fim

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